Um novo escândalo político abala o cenário do Partido dos Trabalhadores em Sergipe. O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) suspendeu, nesta semana, a entrega de cestas básicas no estado após denúncias de que o programa estaria sendo manipulado para favorecer aliados políticos do partido.
A medida foi tomada após o próprio MDS receber documentos e relatos que apontam para possíveis irregularidades na destinação dos kits alimentares. A suspeita é de que o deputado federal João Daniel (PT-SE) estaria usando a ação emergencial para beneficiar politicamente o senador Rogério Carvalho (PT) e seu filho, Camilo Daniel, que disputa espaço nas eleições internas do partido.
Cestas destinadas a comunidades quilombolas desviadas para assentamento aliado
Inicialmente, as cestas foram solicitadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), com o objetivo de atender comunidades quilombolas e de pescadores artesanais em situação de insegurança alimentar. De acordo com o ofício oficial, a distribuição seria feita da seguinte forma:
- 650 cestas para comunidades em Resina, Saramém e Carapitanga (Brejo Grande);
- 350 cestas para a comunidade quilombola de Serra da Guia (Poço Redondo);
- 250 cestas para o Morro dos Negros (Aracaju).
No entanto, de forma inesperada, a Superintendência Estadual do MDA em Sergipe — comandada por Roberto Araújo, aliado direto de João Daniel e Rogério Carvalho — solicitou que a totalidade das 1.250 cestas fosse enviada para um assentamento rural em Quissamã, no município de Nossa Senhora do Socorro. O local não constava na lista original e não fazia parte do plano emergencial aprovado.
Ministério exige explicações e envia equipe a Aracaju
A alteração no destino das cestas provocou uma série de questionamentos graves:
- Por que a entrega não foi realizada nas comunidades quilombolas que constavam no ofício original?
- Quem autorizou a mudança de local?
- Quem recebeu efetivamente as cestas básicas?
- Houve distribuição pública ou os kits foram usados em ações políticas internas?
Diante da gravidade da situação, o MDS determinou a suspensão imediata da distribuição em Sergipe e mobilizou a coordenação nacional do programa para vir a Aracaju nos próximos dias. A missão é apurar os fatos, identificar eventuais responsáveis e garantir que o programa não seja utilizado como ferramenta de barganha política.
A denúncia deve ter desdobramentos no campo institucional e eleitoral. O uso de programas sociais federais para fins políticos é expressamente proibido e pode configurar crime eleitoral e improbidade administrativa.



